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A La Vera Pasta é uma fábrica de massas e molhos artesanais e rotisserie inaugurada em fevereiro de 2000, na Av. Canário, 501 no bairro de Moema em São Paulo.

 

A empresa é fruto de uma sociedade formada por três casais, cujas esposas são da mesma família, duas irmãs e uma prima: Tânia e Lotolfo, Cecília e Francisco, Maria Luíza e Arnaldo. Essa relação gera um fato bastante curioso, onde cada casal tornou-se responsável por uma área da empresa.

 

Embora a inauguração do empreendimento tenha acontecido apenas no início de 2000 as operações da empresa tiveram início em dezembro de 1999 e desde então sua estrutura vem passando por diversos ajustes. No princípio existiam apenas três funcionários e quatro sócios trabalhando diretamente no negócio, atualmente os seis sócios encontram-se envolvidos diariamente além de já contarem com 32 funcionários.

 

As vendas que a princípio eram feitas diretamente ao consumidor final, já começaram a aumentar. Animados pela boa aceitação de seus produtos a empresa vem se expandindo para atender também outros mercados como os restaurantes, supermercados e empórios, tendo essa estratégia resultado em um crescimento de 100% em seus primeiros quatro anos e de 15% no último ano.

 

Os produtos da La Vera Pasta estão posicionados para atingir o nicho de mercado das pessoas que buscam alimentação diferenciada e de qualidade, especialmente no segmento de massas, o que faz com que o preço não seja o principal fator decisório no momento da compra.

 

Para garantir a qualidade extra, a empresa considera como fatores críticos a preocupação com a qualidade da matéria-prima utilizada e com o processo de fabricação, além do relacionamento diferenciado com os diversos públicos consumidores.

 

A publicidade também é algo que merece atenção por parte dos sócios. Ela envolve cuidados como a escolha do nome e da marca, sua aplicação nas embalagens e os folders dos produtos. O material utilizado nas embalagens das massas secas tem a preocupação de passar o conceito de produto artesanal, assim como os molhos que são acondicionados em potes de vidro.

 

O crescimento de 100% nos primeiros anos de operação é resultante dessa preocupação constante com a qualidade do produto, esforço de vendas e divulgação boca-a-boca dos clientes, pois até o momento nenhum esforço publicitário havia sido realizado.

 

Há dois anos foi contratada uma consultoria de relações públicas, que tem realizado o trabalho de divulgação junto aos veículos especializados, além do desenvolvimento do site www.laverapasta.com.br.

 

Para contar melhor a história da La Vera Pasta conversamos com o sócio Lotolfo, que tem formação em Engenharia Civil e concilia as atividades no empreendimento, com as atividades em sua construtora.

 

A História

 

O Arnaldo e o Francisco são descendentes de italianos e assim como os outros sócios, sempre gostaram muito de apreciar uma boa comida italiana. O Arnaldo tinha o hábito de fazer massa seca e molhos artesanais para as reuniões de amigos no seu sítio em Minas Gerais, e eles sempre sugeriam que ele abrisse um restaurante.

 

Como as esposas queriam ter alguma atividade e abrir algum negócio, surgiu a idéia de fazer e vender algumas coisas, mas que não fosse um restaurante. Nasceu assim a idéia da La Vera Pasta.

 

A Tânia e a Cecília já tinham alguma experiência prévia com eventos e bufets e a Maria Luíza conhecia sobre a produção de geléias e doces artesanais, porém de uma forma bastante amadora.

 

Já os maridos, Arnaldo, Francisco e Lotolfo têm todos formação em engenharia civil e com sua visão técnica, sonhavam em fazer um produto de extrema qualidade e que fosse reconhecido por isso no mercado. Para isso, buscaram os melhores ingredientes que conheciam como base para montar os produtos.

 

“O objetivo nunca foi concorrer com a Sadia ou empresas deste tipo, mas sim, ter um produto artesanal de primeiríssima qualidade”.

 

Dessa maneira juntaram-se e avaliaram o que poderiam produzir que possuísse um diferencial no mercado. Analisaram algumas oportunidades e começaram a desenvolver os produtos em suas próprias casas. A cada nova receita era feita uma degustação e análise de custos dos ingredientes.

 

Simultaneamente eles procuravam um local onde pudessem instalar o negócio para o início das operações:

 

“Inicialmente compramos uma casa bem pequena e logo em seguida pegamos a casa do lado e a de trás”.

Diferente de muitos empreendedores que iniciam o negócio sem nenhum estudo prévio, eles realizaram então todo o planejamento do negócio, incluindo as análises financeiras e do retorno esperado com o empreendimento.

 

“Cada passo foi estudado, mas não esperávamos que o sucesso fosse tão grande e viesse tão rápido. A linha de molhos não existia no mercado e os concorrentes passaram a copiar. Nós saímos na frente em várias coisas e muita gente teve que correr atrás”.


O Negócio

 

Baseados em experiências prévias, os sócios decidiram iniciar o empreendimento com uma visão bastante clara do negócio em que iriam atuar, planejando sempre os passos a serem dados, além de buscar manter sempre uma visão racional e técnica sobre as oportunidades. Como exemplo eles citam que constantemente antes de lançar produtos realizam uma pesquisa prévia com amigos e familiares.

 

Os produtos principais (comida) sempre foram desenvolvidos pelos próprios sócios que, no entanto contam com o auxílio de uma consultoria técnica na área de higiene e saúde para adequarem-se à legislação vigente. Sempre que necessário os sócios buscam profissionais no mercado que possam complementar seus perfis e conhecimentos.

 

“Desta forma, não houve necessidade de adequação a nova legislação de alimentos, muito pelo contrário, nossos cuidados vão além do exigidos na lei”.

 

Com base na análise financeira previamente realizada, dividiram o capital necessário entre os três casais, compraram o ponto e iniciaram a reforma adequando-o às novas necessidades. Ao mesmo tempo os sócios cuidavam da burocracia para que conseguissem constituir a empresa. No entanto após o final das reformas ainda tiveram que esperar mais quatro meses para serem autorizados a comercializar os produtos.

 

Nos primeiros meses os sócios não faziam nenhuma retirada de dinheiro, eles utilizavam os recursos para reinvestir em adequações na empresa. Apenas um ano e meio depois de iniciadas as atividade é que as receitas permitiram a retirada de um pró-labore para cada um dos seis sócios.

 

“Os primeiros clientes foram os familiares, que confiaram no produto. Em dezembro de 1999, estávamos funcionando, mas sem abrir a loja (pouco antes do natal), alguns amigos e conhecidos já começaram a fazer pedidos. A loja só foi inaugurada em fevereiro. Oficiosamente as vendas começaram antes da data de inauguração. Após fevereiro as pessoas começaram a passar, conhecer o produto e retornavam. Não fizemos propaganda, a divulgação foi basicamente o boca-a-boca”.

O processo de vendas para o varejo iniciou-se em Santos, cidade natal de Lotolfo, onde existe um supermercado que oferece produtos diferenciados destinado ao público AB+. Aproveitando-se do seu networking com o proprietário, eles começaram a colocar o produto aos poucos na loja, e obtiveram uma ótima aceitação.

 

Em seguida, vieram empórios em São Paulo, o Empório Santa Luzia e Empório Santa Maria, supermercado Varanda e o Pão de Açúcar por convite dos gerentes e outros.

 

“O início da venda para o supermercado, aconteceu por influência do consumidor final, pois o cliente quer ter a comodidade de encontrar o produto no seu lugar de compras. Desta forma, alguns supermercados procuraram a La Vera Pasta, enquanto que outros foram procurados por nos. Ex: o Pão de Açúcar que fica a um quarteirão da loja, vende o produto, pois o seu cliente procura o produto nos momentos em que a loja já está fechada (noite, domingos), mas pode encontrá-lo no a qualquer momento no supermercado próximo a sua casa”.


O Produto

 

“Os produtos da La Vera Pasta são um pouco mais caros, pois os ingredientes são de qualidade superior e o processo de fabricação é artesanal. É um produto de qualidade. Mas o segmento de mercado que queremos é esse. Temos uma indústria artesanal. Não temos máquinas para fazer a massa, fazemos manualmente o gosto é outro. Mas não deixamos de levar em consideração todos os parâmetros de higiene necessários para dar uma longa vida ao produto. Somos muito cuidadosos com qualidade e higiene”.


Momento Crítico

 

“O mais crítico é o governo que não tem regras claras e a cada dia muda suas diretrizes o que nos obriga a adequar todo dia. A relação com os supermercados também exige um jogo de cintura muito grande, pois cada um tem suas próprias regras, que mudam sempre.“


Satisfação

 

“A maior satisfação é o cliente vir comprar, comer e retornar. A satisfação é uma somatória de dias, o nosso saldo é muito positivo, pois os locais em que tentamos fornecer, o produto sempre foi aceito. Outra situação é um cliente ligar de Manaus solicitando o nosso produto. Pessoas entrando em contato para distribuir nosso produto em outros locais, como em Brasília. O importante é saber que o produto está sendo bem aceito, que apesar dos pesares e das dificuldades que se tem para sobreviver no Brasil, estamos conseguindo sobreviver neste nicho de mercado”.


A Decisão

 

“Não houve nenhum momento de ruptura na decisão de montar La Vera Pasta, no entanto, como o mercado de engenharia civil está saturado e em função de frustrações com relação às questões trabalhistas nos levaram a ficar abertos a novas possibilidades de negócios. O que ocorreu foi uma combinação do interesse pessoal (hobby) por culinária com o interesse das mulheres de montarem alguma coisa juntas”.


Começaria de novo?

 

“Começaria o negócio de novo sim, as coisas são ativas, deve-se buscar sempre melhorar, assim como fazemos aqui no La Vera Pasta tentando sempre melhorar as relações com fornecedores, governo, funcionários, negociações. Todos os dias têm coisas diferentes, então todo dia você tem que imaginar o que pode fazer para melhorar”.


A Família e Relacionamentos com Sócios

 

Existem discussões entre os sócios, buscando sempre ter um norte para a empresa.

 

“Como sempre tivemos nossas empresas, a diferença hoje é que os casais fazem parte da sociedade. Acho bom, pois como a esposa está envolvida, troca-se idéia, vê a dificuldade do trabalho no dia-a-dia, muita coisa que se imaginava ser mais fácil não é, e o que parecia difícil não é, as cobranças terminam. Há uma compreensão maior até dos próprios filhos que percebem que os pais estão trabalhando juntos, até por causa deles também. Trabalhar em casal acho que funciona bem”.


Conselho

 

“A pessoa precisa ter um objetivo, escolher um nicho de mercado e ter uma persistência muito grande. O segredo é este, não se deixar abater no dia-a-dia por qualquer coisa, pensar que o dia seguinte vai ser melhor e lutar para isso”.

 

Confira também o estudo de caso Juan Rodrigues, empreendendo em família


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