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19/02/2008

Pequenos negócios voltam-se para público evangélico

Agência Sebrae de Notícicas

Dados do IBGE retratam crescimento do número de evangélicos e do mercado voltado para estes consumidores.

Cresce a cada dia a quantidade de pessoas evangélicas no Brasil. De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 1991 e 2000, o número de evangélicos cresceu 74%. Em 2005, segundo dados divulgados pela revista Exame, havia no Brasil 32 milhões de fiéis, o equivalente a 18% dos brasileiros. Além deste crescimento, o varejo direcionado ao setor também está se ampliando e se potencializando em lucros. Este mercado movimenta R$ 500 milhões por ano. Em 2005, as empresas direcionadas a este público geraram um milhão de empregos.

Em 2000, Mato Grosso tinha em média 418.149 membros e em Cuiabá 82.089. Só a Igreja Evangélica Assembléia de Deus tinha naquele ano 149.207 fiéis no Estado, sendo 25.293 na capital. Segundo o vice-presidente da igreja, pastor Rubens Siro, hoje são aproximadamente 50 mil membros em Cuiabá e 300 mil no Estado.

Estes números se refletem diretamente no mercado. A empresária Madalena Domingos, 46 anos, proprietária da Lenna Modas, loja localizada no centro de Cuiabá, garante que já conquistou muitos clientes, mesmo estando somente há nove meses no mercado. "Quando eu abri, achei que só as irmãs da Congregação Cristã do Brasil, igreja da qual faço parte, e da Assembléia de Deus, comprariam, mas logo nos primeiros meses percebi que outras pessoas também gostam do estilo de roupas evangélicas. As clientes reclamavam que só encontravam roupas curtas", conta Madalena.

Ainda de acordo com a lojista, ela não entende e nem acompanha a moda, mas um dos motivos de ter entrado neste negócio foi porque viu a necessidade das mulheres na busca por uma roupa mais "comportada".

Para Mariana Gomes, 48 anos, proprietária da Mil Faces Modas, também no centro de Cuiabá, e integrante da Assembléia de Deus, este ramo de negócio beneficia principalmente os membros das igrejas evangélicas que são os maiores clientes, apesar de espíritas e católicos também comprarem algumas peças em sua loja.

Mas, não é só a moda que movimenta o mercado para evangélicos. Paulo Rogério, 39 anos, é dono da livraria evangélica Manancial, também no centro da capital, montada há três meses. Ele diz que a procura por Bíblias e CD é grande. "As pessoas vêm sabendo que encontrarão algo que lhes agrada, devido ao estilo definido da livraria", comenta. Este é um mercado tão promissor, que as demais livrarias, ao verem o aumento deste público, entraram na concorrência e passaram a vender determinados produtos que anteriormente não comercializavam.

Para Izabel Barros, 45 anos, membro da igreja Assembléia de Deus e estudante do curso de Direto, é importante ter esse tipo de mercado diferenciado. "Não preciso perder tempo procurando os produtos que preciso, pois sei que há lojas específicas para meu estilo. É bom também por causa da praticidade e da economia já que não preciso me deslocar tanto", analisa, acrescentando que há evangélicos que se sentem mais à vontade comprando em lugares especialmente criados para eles.